O papel da arte na educação
A função da arte não é a de passar por portas abertas, mas é a de abrir as portas fechadas. (Ernst Fisher, 1973)
Sabe-se que desde o início da humanidade o homem teve necessidade de se expressar artisticamente, deixando a sua marca no mundo. A necessidade de produzir e consumir arte, portanto, é inerente à condição humana. Trata-se não só de um impulso vital, como algo fundamental ao desenvolvimento humano.
Mas que habilidades e competências podem ser desenvolvidas no indivíduo por meio da arte e que irão, de certa forma, defini-lo?
"A arte é uma linguagem que possibilita o entendimento do mundo sem a linguagem verbal. Ela faz com que as pessoas entendam conceitos sem passar pela questão da fala, da oralidade, envolvendo diretamente o sentimento, a subjetividade", acredita a arte-educadora Fernanda Saguas.
Essa capacidade de leitura do mundo influencia o processo de formação de identidade, na medida em que permite ao indivíduo se reconhecer na cultura ou se definir em oposição a ela. "Quando há uma decodificação, abre-se um panorama, que oferece os contrastes, as diferenças e as semelhanças, onde você pode espelhar o seu conhecimento", afirma a docente do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Carmen Aranha.
Ao mesmo tempo em que cria essa noção de pertencimento e de valorização da herança cultural, a arte também proporciona o contato com outras culturas, trabalhando questões como diversidade racial e cultural, preconceitos, etnocentrismo e o próprio conceito de arte.
"Por muito tempo só se considerou a arte com "a" maiúsculo, como algo fruto de um gênio. Para um artista ser considerado, ele precisava ser branco, europeu, fazendo uma arte com materiais nobres. Eram conceitos de arte que restringiam muito a idéia do que era arte", explica pesquisadora especialista na área, Ivone Mendes Richter. "Aí é que entra justamente a questão multicultural, no sentido de valorizar em todas as culturas esses aspectos. O multicultural é importante na arte, porque amplia o conceito de arte", complementa.
Segundo Ivone, a idéia da multiculturalidade foi substituída pela noção de interculturalidade. "Ser multicultural consiste apenas na constatação da existência de múltiplas culturas. Já a interculturalidade pressupõe o intercâmbio entre as culturas, que é algo importante para que se conheça a cultura do outro e se passe a respeitar e apreciar esse outro, diferente de nós".
O desenvolvimento de um olhar crítico frente à cultura visual a que estamos submetidos, repleta de publicidade e permeada pelos valores de uma sociedade de consumo, é fundamental. "A arte na nossa cultura é importantíssima, em meio a uma cultura que é tão falada. Ela pode oferecer um silêncio em que você percebe a cultura codificada em elementos de uma linguagem que não é a linguagem do cotidiano", afirma.
Enquanto linguagem, a arte desenvolve no indivíduo não só a percepção visual como a capacidade de simbolizar e dar significado para as coisas. "A arte é uma possibilidade de criar mundos, realidades diferentes. E de transitar entre eles para poder se olhar de outro lugar e se fazer diferente", acredita a pesquisadora do Cenpec, Aline Andrade. Permite, assim, uma ampliação dos horizontes; estimula a sensibilidade e promove a humanização dos indivíduos.
"É muito triste uma vida em que não se pode ter essa experiência de viajar, de reinventar... A arte é vital para sobrevivência da humanidade como humanidade", destaca a arte-educadora Viviani Leite.
Mais do que estimular a criatividade e a sensibilidade, a Arte-Educação tem impacto direto sobre o potencial cognitivo do indivíduo, na opinião de Ana Mae Barbosa, pioneira na sistematização de uma ação educativa em museu no Brasil. No artigo "Por que e como: Arte na educação", destaca: "O movimento de Arte/Educação como cognição se impõe no Brasil. Através dele se afirma a eficiência da Arte para desenvolver formas sutis de pensar, diferenciar, comparar, generalizar, interpretar, conceber possibilidades, construir, formular hipótese e decifrar metáforas".
Acesso à cultura
De acordo com dados do IBGE, 92% dos brasileiros nunca foram a um museu e 93,4% dos brasileiros jamais freqüentaram uma exposição de arte. Seja pela falta de oportunidade, seja pela falta de interesse.
O ensino de arte desempenha papel importante na transformação dessa realidade, já que também pode contribuir com a questão da democratização da cultura. Trabalha-se para fomentar a produção, porém se esquece da recepção. A capacidade de leitura e fruição de uma obra de arte é algo que pode ser ampliado e estimulado; exige preparo e contextualização.
"Está faltando educar a recepção. Você só educa a recepção através do ver arte, do fazer, da contextualização. Eu acho fundamental essa tríade para se conhecer arte - fazer, ver e contextualizar", afirma Ana Mae.
Mas que habilidades e competências podem ser desenvolvidas no indivíduo por meio da arte e que irão, de certa forma, defini-lo?
"A arte é uma linguagem que possibilita o entendimento do mundo sem a linguagem verbal. Ela faz com que as pessoas entendam conceitos sem passar pela questão da fala, da oralidade, envolvendo diretamente o sentimento, a subjetividade", acredita a arte-educadora Fernanda Saguas.
Essa capacidade de leitura do mundo influencia o processo de formação de identidade, na medida em que permite ao indivíduo se reconhecer na cultura ou se definir em oposição a ela. "Quando há uma decodificação, abre-se um panorama, que oferece os contrastes, as diferenças e as semelhanças, onde você pode espelhar o seu conhecimento", afirma a docente do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Carmen Aranha.
Ao mesmo tempo em que cria essa noção de pertencimento e de valorização da herança cultural, a arte também proporciona o contato com outras culturas, trabalhando questões como diversidade racial e cultural, preconceitos, etnocentrismo e o próprio conceito de arte.
"Por muito tempo só se considerou a arte com "a" maiúsculo, como algo fruto de um gênio. Para um artista ser considerado, ele precisava ser branco, europeu, fazendo uma arte com materiais nobres. Eram conceitos de arte que restringiam muito a idéia do que era arte", explica pesquisadora especialista na área, Ivone Mendes Richter. "Aí é que entra justamente a questão multicultural, no sentido de valorizar em todas as culturas esses aspectos. O multicultural é importante na arte, porque amplia o conceito de arte", complementa.
Segundo Ivone, a idéia da multiculturalidade foi substituída pela noção de interculturalidade. "Ser multicultural consiste apenas na constatação da existência de múltiplas culturas. Já a interculturalidade pressupõe o intercâmbio entre as culturas, que é algo importante para que se conheça a cultura do outro e se passe a respeitar e apreciar esse outro, diferente de nós".
O desenvolvimento de um olhar crítico frente à cultura visual a que estamos submetidos, repleta de publicidade e permeada pelos valores de uma sociedade de consumo, é fundamental. "A arte na nossa cultura é importantíssima, em meio a uma cultura que é tão falada. Ela pode oferecer um silêncio em que você percebe a cultura codificada em elementos de uma linguagem que não é a linguagem do cotidiano", afirma.
"É muito triste uma vida em que não se pode ter essa experiência de viajar, de reinventar... A arte é vital para sobrevivência da humanidade como humanidade", destaca a arte-educadora Viviani Leite.
Mais do que estimular a criatividade e a sensibilidade, a Arte-Educação tem impacto direto sobre o potencial cognitivo do indivíduo, na opinião de Ana Mae Barbosa, pioneira na sistematização de uma ação educativa em museu no Brasil. No artigo "Por que e como: Arte na educação", destaca: "O movimento de Arte/Educação como cognição se impõe no Brasil. Através dele se afirma a eficiência da Arte para desenvolver formas sutis de pensar, diferenciar, comparar, generalizar, interpretar, conceber possibilidades, construir, formular hipótese e decifrar metáforas".
Acesso à cultura
De acordo com dados do IBGE, 92% dos brasileiros nunca foram a um museu e 93,4% dos brasileiros jamais freqüentaram uma exposição de arte. Seja pela falta de oportunidade, seja pela falta de interesse.
O ensino de arte desempenha papel importante na transformação dessa realidade, já que também pode contribuir com a questão da democratização da cultura. Trabalha-se para fomentar a produção, porém se esquece da recepção. A capacidade de leitura e fruição de uma obra de arte é algo que pode ser ampliado e estimulado; exige preparo e contextualização.
"Está faltando educar a recepção. Você só educa a recepção através do ver arte, do fazer, da contextualização. Eu acho fundamental essa tríade para se conhecer arte - fazer, ver e contextualizar", afirma Ana Mae.
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